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Minha jornada profissional

Se você quer saber um pouco mais sobre a minha trajetória profissional, aí vem a história...

Logo que comecei a estudar psicologia no Mackenzie eu fui ser voluntária no GRAACC (Grupo de Apoio a Criança e Adolescente com Câncer). Era 1992 e eu sabia que queria cuidar de pessoas. Essa experiência me ensinou muito sobre a vivência prática de pacientes pediátricos e familiares no processo do tratamento oncológico. Uma coisa era ler nos livros, outra coisa era estar presente, participar da dinâmica da equipe e poder contribuir de forma simples para aliviar ao menos um pouco o sofrimento daquelas pessoas. Foi mais ou menos nessa época que eu comecei a fazer terapia. Foi lá no GRAACC que vivi minhas primeiras experiências no suporte a pacientes graves.

Depois que me formei, eu fui para a Boston University fazer um curso de verão sobre psicoterapia familiar. Lá eu trabalhei como voluntária em uma escola especialmente para crianças com necessidades emocionais. Depois eu fui pra NY fazer meu mestrado em musicoterapia na NYU. Foram 3 anos enriquecedores de aprendizados entre profissionais de todo o mundo. Em meu último ano eu fiz estágio no Beth Israel Hospital com a musicoterapeuta Joanne Loewy que ao me conhecer entendeu minha paixão por trabalhar com pacientes graves e em cuidados paliativos. E eu comecei a frequentar as reuniões da equipe de dor e cuidados de conforto. Nessa época eu fiz alguns trabalhos voluntários para a University Hospice, atendendo pacientes em cuidados paliativos que estavam em casa. Na NYU pude experimentar diversos processos terapêuticos pessoais de musicoterapia, drama terapia e GIM (Guided Imagery and Music), até então meu repertório de terapia tinha sido a psicanálise. As novas experiências e estudos me despertaram para aprender mais sobre abordagens humanistas, existencialistas e transpessoais. Depois que terminei o mestrado, eu fui trabalhar no Mount Sinai Hospital atendendo a oncologia, UTI e semi-intensiva pediátricas. Foi um ano de grande aprendizado onde acabei fazendo uma especialização em Child Life Care.

Eu voltei pro Brasil em 2001. Um ano depois eu comecei a trabalhar no Hospital Albert Einstein e no consultório particular. De início eu trabalhava com pacientes neurológicos, mas depois passei a atender pacientes oncológicos e em cuidados paliativos. No HIAE eu pude combinar o aprendizado de musicoterapia com a psicologia hospitalar. Lá desenvolvi trabalhos no transplante de medula óssea, cuidados paliativos, quimo e radioterapia, além de ter feito uma formação em treinamento de simulação realística. E foi lá que também aprendi sobre a importância do auto-cuidado para prevenção de Burnout. Foram 8 anos de muita troca e aprendizados com enfermagem, médicos, fisioterapeutas, nutricionistas, etc. Nesse período, minha terapia pessoal aconteceu dentro da abordagem de Gestalt e também da psicoterapia budista. Foi no HIAE que conheci a minha sócia, parceira na aventura de fundar a primeira organização sem fins lucrativos voltada a educação e assistência em cuidados paliativos, a Ana Claudia Quintana Arantes. A amizade dentro do hospital cresceu e a paixão por cuidados paliativos que compartilhávamos  impulsionou na realização desse sonho que a Ana já tinha todo escrito e planejado em um projeto que ela levava na bolsa pra lá e pra cá. Foi em 2007 que nasceu a Casa do Cuidar, também com a participação de Toshio Chiba e Francisco Carlos Gomes dos Santos. Ao longo desses anos trabalhando com pacientes em processos de finitude foi ficando mais evidente para mim a importância de me dedicar a aprender mais sobre a psicoterapia existencial e especialmente o trabalho de Viktor Frankl. Em 2010 eu fui trabalhar no Hospital Sírio Libanês. Foram 5 anos dentro da equipe de Cuidados Integrativos, coordenada pelo Plínio Cutait. Lá no Sírio eu atendia a pediatria semanalmente com grupos de musicoterapia para crianças e seus pais e atendia também especialmente os pacientes em cuidados paliativos. Nessa mesma época os cursos avançados da Casa do Cuidar, iam acontecendo anualmente, junto com o Programa Cuidando de Quem Cuida patrocinado pela J&J e um projeto, tímido ainda, de atendimento voluntário chamado Corrente do Cuidar.

Em 2015 eu me mudei pro Reino Unido e um novo capítulo da minha história profissional começou. Em Londres vivi um ano sabático dedicado a família (nunca pensei que eu gostasse tanto de trabalhar…senti falta…rs). Um ano muito importante no processo de adaptação e busca por novas oportunidades nessa fase da minha vida. Um curso de mindfulness veio a calhar e contribuiu de forma significativa pra mim. As palestras mensais no Cicely Saunders Institute me fizeram pensar várias vezes no desejo de fazer um doutorado. Mas ainda não aconteceu.

Desde 2019 sou voluntária no Trinity Hospice em Londres, onde visito pacientes em cuidados paliativos semanalmente. Atualmente, eu atendo online e em consultório em Londres, assim como me mantenho na Casa do Cuidar como vice-presidente e coordeno a distância o curso básico multiprofissional de cuidados paliativos online.